sábado, 8 de agosto de 2015

[Resenha] Dragon Ball #01 ~ Son Goku e seus companheiros (Panini Comics) PARTE 1 ~ Análise dos aspectos gráficos


Olá! Conforme prometido, hoje trago a primeira resenha ao blog! Neste post, analiso o primeiro volume do mangá Dragon Ball lançado pela Panini Comics em maio de 2012 (título ainda em publicação, atualmente no trigésimo nono volume).

E eu não poderia falar pouco sobre um dos mangás que conquistou o meu coração. Então, preparem-se! Essa primeira resenha ficou um pouco extensa, por isso tive que dividi-la em duas partes. Nessa parte da resenha, tratarei dos aspectos positivos e negativos dessa edição brasileira, traçando uma análise com ênfase nos aspectos gráficos externos e internos, dentre outros relacionados ao primeiro volume.

O mangá da Panini ~ A nova edição
Como eu disse no final do post anterior, o mangá da Panini tem seus defeitos, mas também tem suas qualidades. Então, vamos aos prós e os contras dessa coleção, baseando-me na minha avaliação do primeiro volume em comparação com a edição kanzenban japonesa.

Apelo estético – das coleções japonesas de Dragon Ball que já vi, posso citar três: duas em formato tankōbon com arte de capa um pouco diferente e lombadas diferenciadas; e uma kanzenban com lombada e capa diferentes. A primeira versão em tankōbon tem uma lombada com tema preto, e a segunda versão, tema verde. A edição da Panini é baseada na segunda, mas eu diria que tem um pouco das duas. A lombada é baseada nesse segundo tankōbon lançado e a capa tem elementos que lembram mais a primeira coleção.
Primeira coleção japonesa de DB em formato tankōbon 
Segunda coleção japonesa de DB em formato tankōbon 

Terceira coleção japonesa de DB em formato kanzenban


Essa é a minha coleção de DB (Panini) até o volume 39
Eu, particularmente, gostei. A capa do relançamento japonês tem um “D B” numa cor verde berrante que não me agrada nenhum pouco. Enquanto que a anterior é mais discreta. As cores, o tipo de fonte usadas na edição da Panini é totalmente diferente, mas não deixa a desejar. As cores se harmonizam com as demais da ilustração da capa. Excelente escolha! Ponto!

 Versão mais antiga do volume 01 - formato tankōbon
Segunda versão (2009) do volume 01 - formato tankōbon

Capa e contracapa – o papel é um pouco flexível e, para falar a verdade, eu até gosto, pois na hora da leitura, ao manusear o mangá, não corre o risco de amassar. Porém, poderia ter uma gramatura um pouquinho maior. A capa é espelhada, com arte igual à da contracapa.




Outro aspecto positivo é que os lados internos da capa e da contracapa são coloridos. O primeiro, o da direita – capa, trazendo um pequeno texto do próprio Akira para os fãs, falando rapidamente sobre o cenário de Dragon Ball, a época da história e o enredo. O segundo, o da esquerda – contracapa, tem uma pequena ilustração com a cabeça do Shenlong ~ Em kanji: 神龍 (leitura katakanaシェンロン) ~ romaji: lê-se “Shenron”.





A lombada – ao contrário dos mangás japoneses que têm lombadas impecáveis (posso falar dos exemplares que eu tenho), os mangás nacionais têm esse problema. A lombada quando na maioria das vezes não vem desalinhada, invade a capa ou a contracapa, prejudicando a qualidade estética da coleção. Apesar disso, o mangá tem uma lombada bonita, com os elementos bem harmonizados. A do primeiro volume vem com o Oolong.




Papel do miolo – esse item é o que mais me incomoda. Apesar de não ser tão transparente (isso sem apontar para a luz), o papel é uma decepção à parte, pois é daquele tipo jornal de baixa gramatura, liso, bem frágil, daqueles que amarela muito com o tempo. Até o cheiro me incomoda. E eu tenho rinite alérgica. L

E não é que eu não goste de papel de cor amarelada. Eu não gosto é desse papel fino que vem numa cor meio cinza e vai ficando amarelo, manchado e se deteriora muito mais rápido do que os demais.



Tradução, adaptação, edição e revisão – a tradução e a adaptação foram feitas por Drik Sada e, cara, eu gostei. O texto ficou bem fluido e soa bem natural no nosso idioma, mesmo contendo alguns termos romanizados do chinês e do japonês. Interessante notar que, por exemplo, na tradução do título do capítulo 2 (球がない!! ~ボールがない!! Leitura: Bōru ga nai!!) “As bolas sumiram!!”, ao optar por "bolas" ao invés de “esferas”  como feito na tradução do título do capítulo 9, se acentua o duplo sentido presente nessa parte da história, envolvendo as esferas do dragão.

Mas, detalhes como esse, a maioria nem vai notar. Com certeza, vou perceber mais coisas quando eu começar a ler a Kanzenban japonesa (estou com planos de postar um diário de leitura da edição japonesa).

Para os kanji que aparecem, há notas explicativas (N.T., nota da tradução, diferente da N.A., nota do autor) na própria página, o que torna a leitura mais rápida ainda. Não gosto que notas explicativas como essa venham somente no final do volume. Eu gostei da inserção delas também, pois ajuda a entender melhor a caracterização de cenários ou roupas de personagens, bem como se torna útil para quem estuda língua japonesa e utiliza mangás como material para prática de leitura.




A revisão do texto, pode-se dizer que ficou boa, pois não me lembro de ter visto nenhum erro ortográfico. Mas confesso que incomodou quando comecei a leitura, e notei a irregularidade no uso de exclamações nos nomes dos capítulos. No original, aparecem sempre duas! Na edição da Panini o uso ficou alternado entre duas exclamações e apenas uma.  Começou usando duas? Por que diabos mudar para uma somente, se elas estão lá na edição original? São detalhes somente. Mas sou chata com detalhes mesmo!

Onomatopeias e interjeições – notam-se dois tipos de uso de onomatopeias: utilizadas dentro do balão e fora dele. As que estão dentro dos balões, foram traduzidas com adaptação ao nosso idioma ou romanizadas. E as que estão fora dos balões, por fazerem parte da arte das cenas, quase todas foram mantidas, ganhando apenas uma tradução pequena em forma de legenda. No caso das interjeições, estas foram traduzidas e a versão é bem próxima da original.

Interjeição "Ah!!" no balão de fala do Yamcha
Na versão japonesa, "あ!!" - literalmente "A!!"
Na fala da tartaruga, a interjeição "Uah!" - tradução para "わっ" (literalmente "Waa" ou "Waaa") 

Dentro do balão de fala do Goku, a onomatopeia "Poc Poc" - uma tradução para "ポク ポク" da versão japonesa (lit. "poku poku" )
Dentro dos balões de fala do Oolong e do Goku, respectivamente, as interjeições "Hm?!" e "Ufa!" - opções de tradução para "へ!?" e "ほっ". E acima a onomatopeia foi mantida com uma tradução abaixo.
Fora do balão, a onomatopeia "さっ" foi mantida com uma pequena tradução ao lado.

Fora do balão, a onomatopeia "ドキ ドキ foi mantida com a legenda "T-Tum", o equivalente para o som das batidas do coração.

Gostei do trabalho feito com as onomatopeias e também com as interjeições, tanto na tradução com substituição da original (dentro dos balões), como na inserção de uma legenda (fora dos balões). Mas no caso dessas últimas, acho que faltou um pouco de consistência na revisão, pois é possível encontrar quadros em que para algumas delas (das que estão fora dos balões) ou não foi inserida a legenda com a leitura ocidental ou simplesmente optaram pela substituição por uma variação ocidental, isto é, eles removeram completamente a onomatopeia.

Fora do balão, a onomatopeia "バ" (?) sem uma legenda de tradução
Fora do balão, a onomatopeia "ゴオオオ。。。" também sem uma legenda de tradução

Acima, a onomatopeia "パン パン" foi substituída por uma tradução equivalente. E não é por causa do tamanho, pois é possível encontrar outras com fonte pequena que foram mantidas. Seria falta de espaço para inserir ali do lado o "Pam Pam"? É possível.
Diagramação – nessa parte a edição pecou um pouquinho, em algumas páginas, os quadros aparecem incompletos, com cortes na arte. Depois vejo se esse problema foi corrigido nos volumes posteriores. 











Outras duas coisas que me incomodaram: o posicionamento da fala em alguns balões, pois não ficou bem centralizada (primeira foto abaixo); e o tamanho das letras em alguns balões, pois não ficou proporcional ao tamanho deles. Um pouquinho de tinta a mais, não iria levar a Panini à falência. Alem disso, encontrei alguns raros balões que sofreram alteração e um quadro em que a arte além de ter sofrido cortes, parece ter sido modificada (segunda e terceira foto abaixo, balão inferior). Ou será se a edição definitiva é diferente mesmo?



Classificação indicativa e ausência de censura – há várias cenas de nudez do Goku e da Bulma e a Panini manteve as cenas em que aparecem os seios da Bulma sem nenhuma censura. Palmas! Importante lembrar que o mangá traz como classificação etária, a indicação para maiores de 12 anos.






Por hoje é isso. Espero que tenham gostado dessa análise. Na próxima postagem eu vou comentar a estrutura interna do mangá, abordando também o conteúdo dos capítulos. Até a próxima! 

~Nana~

4 comentários:

  1. Excelente análise Nana, não conhecia a segunda edição japonesa, a que eu tenho completa aqui é a primeira. Tenho apenas dois comentários, eu não reparei, mas será que o tamanho da página da Panini em relação ao Kanzenban não é menor na largura? Só isso justificaria comer cerca de 3 mm da arte original. Sobre as onomatopeias descentralizadas nos balões, acredito que seja uma segurança na página para o caso do corte comer demais as bordas das páginas, se bem que pela imagem, o corte e vinco teria de cortar mais de 7 mm da página, o que eu acho bem exagerado.

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    1. Sim, são tamanhos diferentes, tanto em largura quanto no comprimento. O tanko japonês é menor e a Kanzenban é a maior de todas, no caso de DB (tenho aqui também a kanzenban de Yu Yu; não sei dizer se todas essas edições definitivas seguem um padrão de tamanho, isto é, se são todas em formato maior) . A edição da Panini tem um tamanho intermediário.

      Eu pensei exatamente isso, o fato de a Kanzenban ser maior em largura, pode proporcionar mais espaço para acomodar os quadros sem nenhum corte. Como eu não tenho o tanko japonês de DB, não posso realmente garantir que houve cortes do original que eles usaram como base. Mas acho que isso é mais comum do que eu pensei.

      Eu tenho aqui a edição da JBC de Rurouni Kenshin e o tankobon japonês. Por ser maior que o tanko, era de se esperar que a edição de JBC não tivesse cortes. Mas tem e muitos! Porém, como eu disse, não é nada que a maioria vai perceber. Também não é algo que atrapalha a experiência de leitura. Só gente chata mesmo (como eu - hehehehe) que fica observando essas coisas.

      Fiquei curiosa para ver essa tua edição de Dragon Ball. Obrigada mais uma vez por seus ótimos comentários. Ah, fiz uns acréscimos ali na parte das onomatopeias. Achei que estava meio confuso.

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    2. Um dia eu faço um vídeo, ou faço uma postagem com fotos no meu blog dos meus encadernados japoneses de Dragon Ball.

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    3. Que legal!!! Quando fizer, me notifica. Vou querer ver, hein!

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